Eleito democraticamente, o presidente quer destruir nossa democracia. Não deixaremos!

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Quarta-feira, terminou o Carnaval, e o que corre o perigo de virar cinzas é a nossa democracia. Tem muita coisa acontecendo para comentarmos, mas se não reagirmos à atitude criminosa do presidente Jair Bolsonaro, não poderemos reagir a mais nada… Sim, estou falando do estímulo do presidente para que a população se mobilize, em prol do  fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados e o Senado

Estou perplexo em relação a tudo isso que está acontecendo, custo a acreditar que tudo isso esteja acontecendo. Antes de mais nada é bom lembrar que o estímulo ao fechamento do Congresso Nacional é um crime previsto na Constituição Federal, o artigo 85 é claro em relação a isso, como já apontou o ministro do STF Celso de Mello. Um crime contra a democracia, um crime contra o que todos nós, enquanto sociedade brasileira,  estabelecemos como regra: vivemos em um sistema democrático que tem os três poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) existindo em harmonia.

O presidente é detentor de um desses três poderes representando o povo, foi eleito democraticamente, e não pode, de forma alguma, propor o fechamento dessas estruturas. 

É como se o Internacional resolvesse fechar o Grêmio para “ganhar sempre”, pelo fato de serem adversários. Mas com desdobramentos muito, muito piores do que um campeonato de apenas um concorrente, jogos vencidos eternamente por W.O. ou um estádio com apenas uma torcida para um jogo que terá sempre o mesmo resultado. Trata-se da vida real, da vida de milhões de pessoas que perderiam sua cidadania apenas por “pensarem diferente”, afinal. E nesse jogo da vida real, não haveria deputados, deputadas, senadores e senadoras, juízes ou juízas… Apenas o cumprimento de ordens vindas da cabeça de uma única pessoa, um ditador que pode fazer o que quiser, sem fiscalização, sem aprovação prévia, sem propor ou negociar, sem ouvir ou deixar falar

General Heleno e um dos convites para o ato que circula nas redes

Ou seja, quando vemos, nas redes sociais, um presidente da república, um general e outros tantos convocando um ato pelo fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal é porque nós estamos no limite do fim. No limite do fim de uma convivência pacífica, harmônica e democrática. E nós todos precisamos reagir, barrar esse tipo de pensamento único pois ele não nos interessa para manter a democracia. 

A democracia é o que garante que as pessoas possam exercer a sua opinião, sua diversidade e possam sair às ruas e falar. Que possam frequentar igrejas, clubes de futebol, diferentes. É o que permite que possamos usar a cor da camisa ou do batom que queremos, que exerçamos a nossa liberdade. É só na democracia que temos nossa liberdade garantida como seres humanos e cidadãos(ãs). É para isso que precisamos de instituições – como os três poderes – fortes e respeitadas, funcionando em harmonia, cada uma dentro da sua competência. 

Não está gostando do resultado do jogo? Acredita que as táticas poderiam ser diferentes? Quer o seu craque em campo? Seu direito de expressar esse pensamento é garantido e, eleitoralmente, a cada quatro anos, nos encontramos nas urnas para estabelecer as regras do próximo período. Não adianta quebrar a urna, para encurtar caminhos. 

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Manchete sobre o AI – 5, em 1968, no jornal O Globo.

O que está em jogo é a liberdade, de fazer o que você pensa que deve ser feito e saber que existe uma estrutura e uma organização que está regendo isso, de forma organizada e harmoniosa. O que temos hoje, neste final de Carnaval, é uma tentativa de negação do Estado e das instituições, de fragilização e entrega total do comando do país. Precisamos reagir para que não cheguemos ao Enterro dos Ossos. 

fonte: https://bira.blog.br/2020/02/26/eleito-democraticamente-o-presidente-quer-destruir-nossa-democracia-nao-deixaremos/